Entrevista com Rubem César Fernandes

Entrevista com Rubem César Fernandes, fundador do Viva Rio e dos Pérolas Negras. Rubem liderou a comissão técnica que foi até a Jordânia garimpar talentos entre os refugiados Sírios do campos de refugiados de Zaatari. Confira a seguir alguns detalhes sobre essa missão de solidariedade esportiva e sobre o futuro do time.

O que torna esse time os Pérolas Negras um time especial?

Ele junta a profundidade do social com a excelência do profissional. No social, a busca do talento no futebol de rua em situações extremas, como nos bairros mais pobres do Haiti e nos campos de refugiados na Jordânia. Já no profissional, damos continuidade da formação de base, trabalhando com profissionais e condições de primeira linha.

A meta é a séria A do Brasileirão? Expandir para outros países?

Destaco quatro metas: 1. Uma boa presença do Clube na categoria B1, que dê visibilidade aos nossos atletas; 2. Atletas formados com o talento e a competência necessária para chegar aos melhores times da Série A no Brasil e no exterior; 3. Atletas recrutados em diversos centros de refugiados no mundo, crescendo em direção aos países árabes e na África; 4 Integração com o futebol de base na região do Vale do Café. Os Pérolas Negras querem ser globais e locais,”GLOCAIS”.

Por que a Jordânia? Vocês sabiam que haviam meninos talentosos por lá?

Sabíamos que a Jordânia logrou uma diplomacia de boa vizinhança numa região eivada de tensões violentas. Por isto mesmo, atraiu e acolheu refugiados de diversos países, entre eles Palestinos, Sírios e Iraquianos. Sabíamos que eles gostavam de futebol e que o praticavam nos campos de refugiados. Se jogam bola em quantidade, hão de ter talento, com meninos e meninas. Pena que não conseguimos abordar as equipes femininas. Quem sabe, no futuro.

Como foi sua reação ao chegar ao campo de refugiados? Em que sentido você pode relacionar essa realidade da Jordânia com a realidade que você viveu no Haiti?

Muito diferente. O Haiti é radicalmente pobre e muito aberto nos costumes. A Jordânia e a Síria não são tão pobres e são muito rígidas em questões de família e comportamentos. Culturas bem distintas.

Como estão as políticas para refugiados no Brasil? Existe algum apoio além das organizações e da igreja católica? Qual o papel do Viva Rio nesse cenário?

Comparativamente, o Brasil se destaca pela abertura e o acolhimento de imigrantes e refugiados. É um país aberto e acolhedor, no geral. Contudo, a crise econômica reduz as oportunidades de trabalho e de geração de renda.

Eles vêm acompanhados das famílias?

No início vêm sem família. Se forem bem sucedidos, movimentam-se no sentido de atrair alguns familiares – namorada, mulher e filho pequeno, pois eles são jovens. Da Jordânia, dentre os seis convidados, três famílias mostraram desejo de migrar num futuro próximo.

Como é a equilibrar a vida de diretor de ONG e dirigente de futebol?

O Viva Rio não é mais uma ONG. Passou a ser uma “Empresa Social”.

Na gestão, são semelhantes, mas na atividade, o futebol tem uma graça incomparável.

Qual o apoio da FERJ e da CBF ao projeto do time? Como esse órgãos podem ser mais atuantes?

Os órgãos federativos têm apoiado o Pérolas Negras de um modo muito positivo. Somos muito gratos!

Um dos meninos que participou da peneira, havia sido selecionado para fazer um intercâmbio na Europa e teve o visto negado. Existe alguma possibilidade disso se repetir aqui no Brasil?

Não. O Itamaraty não dificulta a entrada desses atletas. Ao contrário, facilita.

O que mais te marcou no processo de seleção na Jordânia?

A alegria dos escolhidos e a postura digna dos que ficaram para trás.

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