Paty marca de novo, Pérolas Negras vencem Itaperuna e se mantém na ponta

O rival era um clube tradicional, que já viveu dias de glória na elite do futebol carioca e agora tenta se reerguer. As condições de jogo eram terríveis no campo ruim e escorregadio do Estádio Atílio Marotti em Petrópolis. Nem campo nem adversário, no entanto, impediram o Pérolas Negras de encaixar sua terceira vitória consecutiva e se manter na liderança do Grupo A na Série C do Campeonato Carioca de futebol.

O jogo foi uma verdadeira batalha, e os Pérolas tiveram que jogar um futebol de muita disputa e contato para conquistar os 3 pontos. Em uma partida em que nenhuma das equipes conseguiu praticar um futebol vistoso, em que bonito de se ver foram apenas a raça e a vontade apresentadas de ambos os lados e em que quem errou menos saiu com a vitória, a estrela de Rafael Paty brilhou forte mais uma vez: o artilheiro marcou de pênalti o seu quarto gol em quatro jogos e se isolou na artilharia da competição.

A vitória foi de suma importância para os Pérolas, já que o Itaperuna era o segundo colocado (perdeu a posição para o 7 de Abril) e tomaria a liderança do grupo em caso de vitória no confronto. Segundo e terceiro colocados, 7 de Abril e Itaperuna se enfrentam na próxima quinta 31/08 às 15h, mesmo horário em que os Pérolas entram em campo para desafiar o Paduano no estádio Ferreirão em Cardoso Moreira.

O jogo

Com os Pérolas ainda se encontrando e tentando se adaptar ao campo, a partida começou com o Itaperuna indo para cima e incomodando. O futebol do Pérolas Negras ganhou volume após a parada técnica, mas o primeiro tempo terminou mesmo com muita disputa e sem chances de gol.

O Pérolas voltou mais ligado para a segunda etapa e conseguiu um pênalti com Adriano, grande destaque da equipe na competição até aqui. Em linda jogada, ele driblou dois e foi derrubado dentro da área, ganhando a penalidade e causando ainda a expulsão do defensor adversário.

Rafael Paty cobrou e marcou, assim como ocorrera contra o Paraíba do Sul, e com isso deu números finais à partida. O Itaperuna foi para o abafa mesmo com um a menos e acreditou nas bolas alçadas , mas os Pérolas conseguiram a vitória com muita luta e entrega. Do jeito que a Série C exige.

A próxima partida é longe de casa, no norte do estado, e o Pérolas precisa vencer novamente se não quiser correr risco de deixar a liderança do grupo. Confira a tabela e a classificação da Série C do Campeonato Carioca para ficar por dentro dos resultados e próximos compromissos dos Pérolas Negras.

Pérolas Negras apresenta elenco que vai disputar a Série C do Carioca

A Academia Pérolas Negras apresentou, em Paty do Alferes, o time que vai disputar a Série C do Campeonato Carioca de Futebol. A equipe tem 39 atletas, sendo 15 refugiados haitianos e 24 brasileiros, dos quais dois são da região sul do Rio de Janeiro, onde fica a academia. É a primeira vez que o clube, criado para gerar impacto social através do esporte, chega a disputar uma competição de futebol profissional.

“É um sonho que vira realidade em capítulos. Aproveitamos a popularidade do futebol de rua no Haiti como força integradora e tivemos a ideia de dar qualidade e organização para os talentos que encontramos”, disse Rubem César Fernandes, Diretor do Viva Rio. “Hoje somos uma escola formadora e buscamos replicar a experiência haitiana com refugiados no Oriente Médio. Futebol é escola de resolução pacífica, de democracia, e queremos plantar essa raiz lá também.”

O evento em Paty do Alferes teve a presença da população, de parceiros locais e do prefeito do município, Juninho Bernardes, que reforçou o comprometimento da prefeitura em levar uma parceria com a Academia para as escolas públicas da região. “O programa não é apenas esportivo, é também social. Hoje é o primeiro passo de uma história muito bonita. Tenho muito orgulho de ter os Pérolas Negras aqui em Paty”, disse Juninho.

Os jogadores também apresentaram um dos novos uniforme do time, com desenhos sagrados em creole haitiano que representam ataque, coração e defesa. Esses grafismos se chamam Veve – que significa literalmente as pinturas feitas no chão em cerimônias religiosas, mas também quer dizer um drible perfeito, um “desenho no chão”.