Pérolas Negras anuncia nova categoria de futebol

Fruto da união com Parque Ipanema, o Pérolas Negras anuncia nesta quinta-feira, (06) sua mais nova categoria de futebol, o sub-17. Os atletas utilizarão para as dependências do clube de Queimados para treinamento, e vão disputar a Série B do Campeonato Carioca, que inicia no dia 24 de junho.

As partidas do Pérolas Negras Sub-17 também acontecerão no Avelar, em Paty do Alferes, mesmo local que os Profissionais e Sub-20 disputam seus jogos. O time será comandando pelo técnico Juan Pereira.

Com a criação do time sub-17 o Pérolas Negras passa a se credenciar para receber o certificado de clube formador, importante para o crescimento do clube.

Entrevista com Rubem César Fernandes

Entrevista com Rubem César Fernandes, fundador do Viva Rio e dos Pérolas Negras. Rubem liderou a comissão técnica que foi até a Jordânia garimpar talentos entre os refugiados Sírios do campos de refugiados de Zaatari. Confira a seguir alguns detalhes sobre essa missão de solidariedade esportiva e sobre o futuro do time.

O que torna esse time os Pérolas Negras um time especial?

Ele junta a profundidade do social com a excelência do profissional. No social, a busca do talento no futebol de rua em situações extremas, como nos bairros mais pobres do Haiti e nos campos de refugiados na Jordânia. Já no profissional, damos continuidade da formação de base, trabalhando com profissionais e condições de primeira linha.

A meta é a séria A do Brasileirão? Expandir para outros países?

Destaco quatro metas: 1. Uma boa presença do Clube na categoria B1, que dê visibilidade aos nossos atletas; 2. Atletas formados com o talento e a competência necessária para chegar aos melhores times da Série A no Brasil e no exterior; 3. Atletas recrutados em diversos centros de refugiados no mundo, crescendo em direção aos países árabes e na África; 4 Integração com o futebol de base na região do Vale do Café. Os Pérolas Negras querem ser globais e locais,”GLOCAIS”.

Por que a Jordânia? Vocês sabiam que haviam meninos talentosos por lá?

Sabíamos que a Jordânia logrou uma diplomacia de boa vizinhança numa região eivada de tensões violentas. Por isto mesmo, atraiu e acolheu refugiados de diversos países, entre eles Palestinos, Sírios e Iraquianos. Sabíamos que eles gostavam de futebol e que o praticavam nos campos de refugiados. Se jogam bola em quantidade, hão de ter talento, com meninos e meninas. Pena que não conseguimos abordar as equipes femininas. Quem sabe, no futuro.

Como foi sua reação ao chegar ao campo de refugiados? Em que sentido você pode relacionar essa realidade da Jordânia com a realidade que você viveu no Haiti?

Muito diferente. O Haiti é radicalmente pobre e muito aberto nos costumes. A Jordânia e a Síria não são tão pobres e são muito rígidas em questões de família e comportamentos. Culturas bem distintas.

Como estão as políticas para refugiados no Brasil? Existe algum apoio além das organizações e da igreja católica? Qual o papel do Viva Rio nesse cenário?

Comparativamente, o Brasil se destaca pela abertura e o acolhimento de imigrantes e refugiados. É um país aberto e acolhedor, no geral. Contudo, a crise econômica reduz as oportunidades de trabalho e de geração de renda.

Eles vêm acompanhados das famílias?

No início vêm sem família. Se forem bem sucedidos, movimentam-se no sentido de atrair alguns familiares – namorada, mulher e filho pequeno, pois eles são jovens. Da Jordânia, dentre os seis convidados, três famílias mostraram desejo de migrar num futuro próximo.

Como é a equilibrar a vida de diretor de ONG e dirigente de futebol?

O Viva Rio não é mais uma ONG. Passou a ser uma “Empresa Social”.

Na gestão, são semelhantes, mas na atividade, o futebol tem uma graça incomparável.

Qual o apoio da FERJ e da CBF ao projeto do time? Como esse órgãos podem ser mais atuantes?

Os órgãos federativos têm apoiado o Pérolas Negras de um modo muito positivo. Somos muito gratos!

Um dos meninos que participou da peneira, havia sido selecionado para fazer um intercâmbio na Europa e teve o visto negado. Existe alguma possibilidade disso se repetir aqui no Brasil?

Não. O Itamaraty não dificulta a entrada desses atletas. Ao contrário, facilita.

O que mais te marcou no processo de seleção na Jordânia?

A alegria dos escolhidos e a postura digna dos que ficaram para trás.

Pérolas do oriente no Esporte Espetacular

Uma partida de futebol começou no Oriente Médio e só vai terminar no Brasil, em meados de junho, três meses depois de iniciada. O apito final soará com a chegada de cinco jovens atletas sírios ao Centro de Treinamento da Academia de Futebol Pérolas Negras, no município de Paty de Alferes, no Rio de janeiro.

Será o resultado da missão que levou ao campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, uma equipe de profissionais brasileiros para selecionar novos atletas, desta vez sírios, para integrar o Pérolas Negras, time mundial de refugiados do Viva Rio. O pontapé inicial, na verdade, foi um exaustivo trabalho para escolher os melhores jogadores e um treinador de futebol entre os jovens que vivem em Zaatari, o maior campo da Jordânia, com 80 mil refugiados sirios.

Essa linda história, contada em quatro episódios, continua amanhã, dia 6 de maio, domingo, com o segundo episódio “A Partida” no ESPORTE ESPETACULAR da TV Globo. A série narra todo o processo de seleção dos novos Pérolas, com a condução do repórter Pedro Bassan.

Mais de 200 residentes, a maioria jovens e do sexo masculino, compareceram ao bem cuidado estádio de grama sintética, mantido pela “UEFA Foundation for Children” em parceria com a Asian Football Development Projetct (AFDP) e o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR).

Na primeira fase foram observados 120 jovens, submetidos a testes para apurar as condições físicas e as habilidades com a bola. Deste total, foram escolhidos 50 atletas.

Na segunda etapa, chegou-se a 25, depois 16, e por fim, cinco jogadores e um treinador. Dois dos escolhidos são refugiados que moram fora do campo, na periferia da capital, Amã. A torcida participou ativamente da seleção, gritando, vibrando e promovendo danças nos intervalos.

Ao final do processo, os jogadores que chegaram às últimas etapas formaram uma equipe que enfrentou, em partida amistosa, no campo de de grama sintética de Zaatari, os “Jordan Knights”-um time formado por jovens de classe média moradores de Amã. Os refugiados perderam para os visitantes por 3 a 2.

Veja o primeiro programa.

PÉROLAS NEGRAS RECEBE MEDALHA PELO TRABALHO DESENVOLVIDO NO HAITI

O Ministério da Defesa concedeu hoje pela manhã a Medalha Mérito Esportivo Militar à Academia de Futebol Pérolas Negras pelo trabalho esportivo desenvolvido no Haiti, onde o Exército Brasileiro, em Missão de Paz, foi um dos grandes parceiros do Viva Rio na criação e na manutenção de projetos sociais.

Rubem César Fernandes foi o único não atleta a receber a medalha na cerimônia, que foi realizada na Ilha das Cobras e presidida pelo ministro interino da Defesa Joaquim Silva e Luna. Rubem, diretor do Viva Rio e do Pérolas Negras, foi um dos poucos homenageados a receber a condecoração das mãos do próprio ministro.

Receber a Medalha Mérito Esportivo Militar é uma grande honra para os Pérolas Negras, e nos incentiva a trabalhar ainda mais pela inclusão social de jovens refugiados do mundo todo através do futebol.

 

SUB-20 DO PÉROLAS NEGRAS PERDE POR 2×1 PARA O FLAMENGO NA GÁVEA

A equipe sub-20 do Pérolas Negras viajou ontem de Paty do Alferes até o Rio de Janeiro para enfrentar o time sub-17 do Flamengo. O jogo aconteceu na sede do clube carioca, que fica na Gávea, zona sul da cidade, e terminou com vitória dos donos da casa por 2×1. O zagueiro haitiano Badio marcou o gol do Pérolas após cobrança de escanteio do também haitiano Salomon.

Formado por uma maioria de haitianos e alguns brasileiros, o time do Pérolas jogou de igual para igual e criou inclusive mais chances de gol do que o Flamengo, que no entanto foi mais eficiente e abriu 2×0 antes do gol de cabeça de Badio dar números finais ao placar. O Pérolas Negras acertou a trave adversária duas vezes.

Esse foi o primeiro amistoso do sub-20 do Pérolas Negras no ano. A equipe, treinando há duas semanas sob o comando de Daniel Pinheiro, se prepara para a disputa da Série B2 do Campeonato Carioca após conquistar o título da Série C em 2017. O novo treinador, contratado após 17 anos na base do Fluminense, substituiu Wesley Assis, que assumiu o profissional do Pérolas após a saída de Rafael Novaes.

Após a partida o ônibus do projeto fez uma escala no Engenhão antes de voltar a Paty do Alferes. A convite do Fluminense, os jogadores e toda a comissão acompanharam a derrota do Tricolor para o Avaí por 2×1, de virada, que faz o clube carioca precisar de uma vitória na semana que vem em Florianópolis para avançar à próxima fase da Copa do Brasil.

O próximo amistoso do sub-20 do Pérolas Negras será contra o Botafogo, entres os dias 10 e 15 de março, em local ainda a definir. A Série B2 começa no dia 19 de maio.

 

Sub-20 do Pérolas Negras faz exames no Centro de Saúde Veiga de Almeida

Fevereiro começou com uma grande conquista para o Pérolas Negras. Graças a um termo de cooperação técnica entre o clube e a Universidade Veiga de Almeida, 22 atletas do sub-20 do Pérolas vieram ontem (1/2) de Paty do Alferes ao Rio de Janeiro para realizar exames médicos, odontológicos, nutricionais e psicológicos no moderno Centro de Saúde da UVA na Praça da Bandeira.

Com a descontração de sempre, os jovens foram divididos em três grupos e circularam pelos seis andares do prédio realizando uma longa série de exames com pessoal e equipamentos de ponta. O ônibus chegou ao Centro de Saúde às 10h e regressou ao Vale do Café no final do dia.

Essa importante vitória fora dos campos foi somente a primeira etapa de uma parceria que vai ajudar os Pérolas Negras a enfrentarem desafios ainda maiores que os do ano passado, quando conquistaram a Série C do Campeonato Carioca nas categorias Profissional e Sub-20 e garantiram o direito de jogar a Série B2 em 2018. O torneio começa a ser disputado em maio.

Segundo o doutor Luiz Santoro, médico dos Pérolas Negras, trata-se de uma parceria inovadora que permitirá uma avaliação multidisciplinar da saúde de todos os atletas:

– Engloba várias áreas da assitência em saúde. Temos atendimento de enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutrição, odontologia, fonoaudiologia. Essa atividades juntas dão condição da gente olhar cada um dos atletas de forma individualizada e segmentada dentro dessas áreas de atuação. Isso facilita muito o nosso trabalho de pré-temporada.

Santoro citou os exames laboratoriais que foram realizados e disse que os atletas começarão a pré-temporada completamente checados do ponto de vista da saúde, com avaliação cardiológica e todos os exames em dia. Ele agradeceu à Universidade Veiga de Almeida:

– Vai ser um diferencial para a temporada do Pérolas, e temos muito a agradecer à Veiga de Almeida. Fizemos com o sub-20, como um modelo piloto, e faremos na pré-temporada do elenco profissional, que se apresenta daqui a poucos dias. Através dessa parceria estamos dando ao Pérolas negras uma estrutura de time de ponta para a avaliação desses atletas.

Luis Claudio Campos, diretor de operações do Centro de Saúde Veiga de Almeida, acredita que a parceria também foi proveitosa para a UVA:

– É uma oportunidade ímpar de poder trabalhar com um grupo fechado, mais homogêneo, e colocar em prática os pilares da saúde, considerando a prevenção e o olhar integral do indivíduo e reunindo diversas especialidades da saúde para uma assistência integral.

Maíra Freitas, supervisora do Centro, ficou feliz de ajudar jovens refugiados e enxerga desdobramentos promissores para a parceria:

– Para a Universidade Veiga de Almeida isso é muito bom. Ajuda no esporte e os incentiva depois de todas as dificuldades que eles passaram. Futuramente podemos envolver os alunos nessas triagens e avaliações para contribuir também com o aprendizado.

Para Juan Rodriguez, refugiado venezuelano contratado pelo Pérolas Negras em dezembro do ano passado para reforçar a equipe sub- 20, a visita ao Centro de Saúde da UVA valeu a pena:

– O espaço é bem legal. Grande, bonito, tranquilo. Acho legal para a gente conhecer o nosso corpo e saber o que podemos melhorar para conseguir bons resultados nos campeonatos.

Juan começou nas categorias de base do Carabobo FC e já atuou pela seleção sub-15 da Venezuela. Desde que chegou ao Brasil, há pouco mais de um ano, treinava no Aterro do Flamengo enquanto buscava uma oportunidade em algum clube. Já integrado aos companheiros haitianos e brasileiros, está otimista para sua primeira temporada no Pérolas:

– A expectativa é encerrar o ano sendo campeão, seja do Carioca ou de outra competição que venhamos a disputar. Quero seguir melhorando, pegar uma titularidade e entrar no time profissional.

Fotos: Diego Padilha

Copinha: Goiás elimina o Grêmio com participação de haitiano

Atual campeão da Taça Libertadores da América e finalista do Mundial de Clubes da Fifa contra o Real Madrid, o Grêmio foi eliminado ontem da Copa São Paulo de Futebol Junior. O algoz do tricolor gaúcho na Copinha foi o Goiás, do jovem volante haitiano Jacko, que venceu por 1×0 e vai enfrentar a Portuguesa nas oitavas de final da competição.

Jacques Saul Metellus nasceu no Haiti e treinou na Academia Pérolas Negras em Bon Repos, nos arredores de Porto Príncipe, até se mudar para Paty do Alferes junto com a equipe que disputou a Copa São Paulo de 2016. Ele se destacou jogando pelo Pérolas na edição de 2017 da Copinha e chamou a atenção do Goías, sendo contratado pelo clube logo após o torneio junto com o atacante haitiano Waby.

Jacko vem sendo peça importante do Goiás na atual edição da Copinha, entrando sempre no segundo tempo e participando bem das partidas. Ontem ele entrou pouco depois do gol de Vinicius, que aproveitou falha da defesa gremista após lançamento do goleiro Enzo, e foi peça importante para segurar o resultado nos minutos finais do confronto.

A trajetória de Jacko, do Haiti até as oitavas de final da Copinha atuando por um grande do futebol brasileiro, é prova de que atletas refugiados são uma fonte preciosa de talento e podem chegar longe quando encontram condições propícias para o seu desenvolvimento profissional. Dar uma chance a esses jovens é a razão de ser do Pérolas Negras, que quer ser um time mundial de refugiados para que histórias como a de Jacko se tornem comuns.

Pérolas Negras contrata refugiado venezuelano para a equipe sub-20

O Pérolas Negras chega ao fim de 2017 mais perto do sonho de se tornar um time mundial de refugiados.

Além dos títulos da Série C do Rio de Janeiro, que promove a equipe à terceira divisão estadual, e dos esforços para expandir o projeto para o Oriente Médio, movimento que a diretoria espera concretizar em 2018, o clube acaba de contratar o venezuelano Juan Andrés Rodriguez Collado, de 18 anos, que pode jogar de lateral-direito e volante e vai ficar por duas temporadas disputando competições pelo sub-20 dos Pérolas. Ele vai morar e estudar com os companheiros de time em Paty do Alferes, cidade no sul do Estado do Rio que abriga a sede do clube..

O jovem já era atleta na Venezuela e jogou na Seleção sub-15 e nas categorias de base do Carabobo FC, clube da primeira divisão do país vizinho. Há um ano, desde quando chegou ao Rio, Juan busca uma oportunidade em algum time enquanto mantém rotina de treinos no Aterro do Flamengo.

“Sempre pensei no Brasil como elite mundial do futebol. Tem muita gente boa de bola aqui. Eu senti a diferença quando cheguei, dava para ver que eu cansava muito antes dos brasileiros. Mas eu acredito em mim e agora vou me preparar e dar o melhor pelo Pérolas Negras”, diz Juan.

Refugiados

Até a contratação de Juan o Pérolas Negras era composto por brasileiros e refugiados haitianos, e a chegada do venezuelano mostra que o clube está aberto para todos na condição de time formador com foco no aspecto social. Com a grave crise atravessada pela Venezuela, muitos habitantes do país vêm buscando melhores condições de vida no Brasil. Foi o caso de Juan e sua família, como explica o pai do atleta:

“Nós saímos da Venezuela por motivos políticos, inclusive ameaças de morte. Fiquei impressionado com os acontecimentos recentes no meu país, com a morte de mais de cem jovens em protestos. Graças a Deus conseguimos nos estabelecer aqui no Brasil, porque poderia ser meu filho, ele estaria nas ruas com os amigos protestando”, diz José.

Para começar a disputar o Campeonato Carioca com atletas haitianos o Pérolas Negras conseguiu uma mudança no regulamento que estipulava limites à participação de estrangeiros na competição. O clube ganhou um processo junto à Federação de Futebol do Rio com um pedido para que os refugiados não fossem considerados estrangeiros.

“Se para a legislação trabalhista o refugiado é como se fosse um brasileiro e não precisa de visto especial para trabalhar no país, por que não fazer o mesmo com o esporte, que é um dos mais importantes meios de integração social? Esse foi um dos nossos argumentos’’, explica Luciana Lopes, advogada do Pérolas Negras e diretora do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo. “Refugiado é diferente de imigrante, refugiados não saíram do país porque querem, para tentar uma vida melhor. Refugiados foram obrigados a sair do país deles sob pena de perder a própria vida, porque não tinham opção”.

O Pérolas Negras abraçou a missão de ajudar atletas refugiados a mostrar seu valor para o mundo. Casos como o de Luka Modric, que começou a carreira em situação de refúgio e foi escolhido no sábado o melhor jogador do Mundial de Clubes da Fifa, reforçam a certeza de que os campos e abrigos de refugiados estão repletos de talentos preciosos à espera de uma oportunidade.

A contratação de Juan é o primeiro passo dos Pérolas Negras para além da conexão Brasil-Haiti, e espera-se que sua chegada seja a primeira das muitas que farão do Pérolas Negras um time mundial de refugiados.

Pérolas Negras conquista título e passa mensagem de esperança

O Pérolas Negras é o campeão da Série C do Campeonato Carioca em 2017. Já garantido na Série B2 do ano que vem após terminar a fase principal na liderança do seu grupo, o Pérolas segurou o 0x0 contra o Campos ontem no estádio Ferreirão, em Cardoso Moreira, e conquistou o título por haver vencido a primeira partida da decisão pelo placar de 3×0 na última quinta em Paty do Alferes.

Cerca de 120 torcedores dos Pérolas lotaram dois ônibus e atravessaram o estado para ver de perto a conquista. É o segundo título do Pérolas Negras em sua temporada de estreia no Campeonato Carioca, pois o clube já havia se sagrado campeão estadual invicto na categoria Sub-20. A vitória de ontem garantiu a dobradinha e confirmou a inclusão social como a grande vencedora dessa Série C.

Ainda ontem uma bela matéria do site Livesporte destacava as trajetórias de Campos e Pérolas Negras na luta contra o racismo no futebol. É simbólico e inspirador que o Dia da Consciência Negra tenha sido também o dia dos Pérolas comemorarem o primeiro título profissional de sua história.

Confira algumas matérias publicadas sobre a conquista dos Pérolas Negras:

Pérolas Negras segura 0 a 0 com Campos e se consagra campeão da Série C (FutRio)

É campeão! Pérolas Negras empata e faz história na Série C do Carioca (Globo Esporte)

Pérolas Negras celebra título e sonha ser o ‘clube mundial dos refugiados (Lance!)

Título do time principal confirma dobradinha do Pérolas em 2017 (FutRio)

Pérolas Negras é campeão da Série C do Campeonato Carioca (RJTV)

Equipo de haitianos se corona campeón en Brasil (imprensa mexicana)

Pérolas encontram torcida, goleiam o Campos e ficam perto do título

O dia tinha tudo para ser especial. Não apenas o Pérolas Negras disputava uma final logo em seu primeiro torneio oficial, a Série C do Campeonato Carioca de 2017, como pela primeira vez conseguia utilizar a casa que escolheu para a competição, o Estádio do Avelar em Paty do Alferes.

A expectativa era grande e foi atendida com sobras. A torcida compareceu, lotando a arquibancada e a área social do clube, e a equipe correspondeu com bom futebol, vitória por 3×0 sobre o Campos e passo gigantesco para conquistar o título no domingo às 16h em Cardoso Moreira.

Rafael Paty, Iago e Adriano marcaram os gols da vitória que permite ao Pérolas Negras perder por até dois gols de diferença e ainda assim sair campeão do estádio Ferreirão no domingo. Qualquer vitória do Campos por três gols de diferença leva a decisão para os pênaltis.

Jogo cercado de expectativas

As duas equipes, primeiras colocadas de seus grupos na fase principal da Série C, já entraram em campo garantidas na Série B2 de 2018. O Campos terminou como líder do Grupo B e o Pérolas Negras garantiu a liderança do Grupo A ao arrancar um empate contra o Casemiro de Abreu no último domingo.

Na categoria Sub-20 os Pérolas já haviam se sagrado campeões ao vencer as duas partidas da final contra o Itaperuna. No profissional, com o acesso à Série B2 já conquistado pelos dois finalistas, alguém poderia até argumentar que o principal objetivo da temporada já havia sido alcançado pelas equipes.

Mas uma decisão de título é sempre uma decisão de título. E a final entre Pérolas Negras e Campos era também uma estreia e um tira-teima.

Para explicar é preciso voltar no tempo: no dia 1 de outubro o Pérolas Negras finalmente conseguira regularizar o Estádio do Avelar para receber partidas da Série C e, após mandar seus jogos em Volta Redonda, Petrópolis e em dois estádios diferentes de Xerém, ia finalmente estrear sua casa em Paty do Alferes.

A partida dessa data oporia os líderes dos dois grupos, Pérolas Negras e Campos, e a torcida compareceu para apoiar a equipe que ainda não pudera acompanhar de perto. O jogo mais aguardado da fase principal da Série C, no entanto, nunca aconteceu. Um problema com a ambulância da partida acabou decretando o W.O. e a vitória do Campos por 3×0.

O Campos disparou na liderança do Grupo B e o Pérolas foi perseguido de perto pelo 7 de Abril até a última rodada no Grupo A. Conseguiu segurar a liderança, e ontem, um mês e meio depois da primeira visita, voltava a receber o Campos no Estádio do Avelar. Dessa vez para jogar uma final.

Os dois melhores times da competição frente a frente numa decisão. E tem mais: com vários clubes em situação financeira delicada, as últimas rodadas da Série C passaram a registrar muitos casos de W.O., incluindo as duas últimas partidas do Pérolas Negras como mandante – Brasileirinho e Heliópolis não conseguiram cumprir suas obrigações. A final de ontem contra o Campos era, portanto, a primeira partida dos Pérolas em sua casa. A decisão era também uma estreia.

Rafael Paty abre o placar

O Campos era dono da melhor campanha do torneio e começou tentando impor seu estilo. Foi melhor durante os primeiros momentos, mas o Pérolas logo equilibrou as ações e aos 17 minutos fez explodir a torcida: Adriano cobrou escanteio, Jhonathan desviou e Rafael Paty colocou para dentro.

Aos 36 anos, Paty rodou o Brasil como jogador profissional e atuou em Portugal e Coreia do Sul antes de fazer ontem a primeira partida oficial em sua cidade natal. Xodó da torcida por motivos óbvios, correu como um garoto durante 90 minutos sob o sol escaldante. Ao final do jogo não se esforçava para esconder a emoção:

– Tinha tanta coisa passando na minha cabeça hoje que você perde até a noção de espaço, de tempo, de lugar. Jogar Rafael Paty dentro de Paty do Alferes… É um sonho que foi realizado. Minha família, minha esposa, meus amigos, todo mundo aí. É uma coisa inexplicável a felicidade que eu estou sentindo, depois de dezoito anos voltar para jogar dentro da minha cidade.

Todo o elenco dos Pérolas sofreu com o W.O. de 1 de outubro, mas para Rafael Paty o episódio teve um sabor ainda mais amargo:

– Depois de uma estreia frustrada nossa, com W.O., acho que foi o dia mais triste da minha vida… Meus filhos aqui, minha esposa, minha mãe, minhas irmãs. Até hoje a gente fica se remoendo, mas são coisas que só nos motivam mais a trabalhar. A gente sabe a grandeza do projeto.

Paty fala com empolgação do acesso conquistado e da disputa da Série B2 no ano que vem, mas faz questão de dizer que o título está em aberto e que levantar a taça no domingo é fundamental para os Pérolas:

– Novos horizontes estão por vir, caminhos melhores, com essa molecada que a gente tem, o pessoal do Haiti, esses meninos que a gente adotou de verdade e são a base do nosso time. Mas não ganhamos nada. Vamos em busca do título porque o acesso foi bom, mas o título vai ser melhor ainda.

Iago e Adriano ampliam

O gol de Rafael Paty atordoou um pouco a equipe do Campos, que tentava se impor no jogo, e o Pérolas aproveitou o momento para pressionar e tentar ampliar o placar. A blitz deu resultado aos 22 minutos, quando Iago se livrou da marcação e chutou bonito de fora da área para marcar o segundo.

A torcida se levantou quando Tetéu desarmou o adversário já deixando Rafael Paty em condições de marcar. O veterano deu um pique e tanto para ganhar a frente dos zagueiros, sair na cara do gol e tirar do alcance do goleiro, mas a bola resolveu triscar a trave e sair pela linha de fundo em vez de consagrar o camisa 9.

A partir do intervalo o Pérolas Negras diminuiu o ritmo, satisfeito com o resultado, e o Campos não teve fôlego para transformar a posse de bola em chances reais de gol. Parecia que o verão finalmente chegara após um novembro atipicamente frio, e o calor não deu trégua até o final da partida.

Mas nem o calor conseguiu parar o contra-ataque que terminou no terceiro gol dos Pérolas. Richardson arrancou pela esquerda, deixou o marcador para trás e rolou para Adriano concluir – o goleiro ainda tocou na bola mas não conseguiu impedir o tento que deu números finais ao confronto.

Adriano foi o destaque do Pérolas Negras no início da competição, com gols e assistências importantes, mas não marcava desde o jogo de 17 de setembro contra o União de Marechal. Ontem, diante da torcida e numa decisão, não apenas voltou a balançar as redes como infernizou a defesa adversária com dribles e muita velocidade:

– A sensação é a melhor possível. Eu não fazia gol há um tempinho mas vinha sempre fazendo o meu melhor para ajudar a equipe. Hoje graças a Deus consegui jogar bem, com o apoio dos meus companheiros, e para coroar veio o gol. A gente jogar em casa é um diferencial, e estávamos devendo isso ao torcedor.

Global x local

O carinho da população local é uma das grandes conquistas do Pérolas Negras, que quer estreitar relações com o Vale do Café fluminense ao mesmo tempo em que se torna um time mundial de refugiados. O diretor-executivo do Viva Rio, Rubém César Fernandes, acaba de voltar da Jordânia, onde articula para que os Pérolas passem a receber atletas sírios, jordanianos, iraquianos e palestinos além dos haitianos. Ele era mais um a comemorar o estádio lotado:

– A gente está cada vez mais aqui dentro, e isso é muito legal. Em plena quinta-feira e estava cheio, garotada, muita gente jovem. A gente se enraizou, em um ano conseguimos marcar um pertencimento aqui. E aí tem que viajar um pouco na ideia… É pé no chão e os olhos lá no horizonte, é assim que a gente caminha.

O haitiano Elison, lateral direito titular da campanha do acesso, ingressou nos Pérolas Negras no Haiti e veio no ano passado para o Brasil:

– Eu me sinto em casa em Paty. Estou muito feliz e quero agradecer à torcida, a todos. Para mim o time representa uma família. Esse time estava no Haiti comigo e agora eu estou aqui com ele. E vou junto com ele para a Série B.